Anualmente, a CNBB – Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros, entidade ligada à igreja católica, inicia uma campanha de evangelização, que busca justiça social e essa campanha baseia-se na solidariedade. Em 2023 a temática escolhida foi solidariedade e fome.

O tema é atualmente relevante devido ao grande número de brasileiros que não tem uma alimentação adequada a sobrevivência e se socorrem de lixões, fila do osso e outros artifícios para encontrar o mínimo para sua subsistência, foi alvo da sanha de fiéis da própria igreja católica e pentecostais, que acusam os bispos do Brasil de estarem patrocinando uma “conspiração comunista” e fazem uma contra campanha para que outros fiéis não se envolvam e nem doem alimentos para a campanha.

Parece estranho que um cristão não seja tocado pela necessidade de fazer a justiça social e amenizar a dor de seus irmãos, mas no Brasil de hoje, temos inúmeros brasileiro, que foram às ruas em defesa do nome de Deus, da Pátria e da Família, que se sentem desconfortável em aceitar o fato de que a justiça social no Brasil falhou nos últimos anos e empurrou para pobreza extrema milhões de brasileiros e brasileiras. Acabar com a fome é uma tarefa urgente, pois a fome dói, desmoraliza, escraviza e humilha nossos irmãos, que sem ter o que comer são submetidos a processo de desumanidade.

Mas para entender este momento é preciso ir além da fé, ou da pouca fé, é preciso compreender a política da polarização, que tem nos extremista de direita a força necessária para exclui os mais pobres dos elementos mais necessários da vida, a alimentação.

Para além da fome de alimentos, é preciso compreender que milhões de brasileiros têm necessidades, digo fome, de educação, saúde, respeito e dignidade, que só um governo que esteja comprometido com a justiça social poderá efetivamente pensar nos mais pobres e construir uma política de distribuição de renda, um programa de segurança alimentar para cidades e para o campo e se preocupar com a educação e a saúde dos povos. A preocupação de um governo deve ir além destes elementos e se preocupar com os povos originários, quilombolas e todas as minorias, pois em Mateus 9:14 o mestre Jesus, nos ensina “Deixai os pequeninos e não os estorveis de vir a mim, porque dos tais é o Reino dos céus” (Versão Almeida Revista e Corrigida).

A complacência e a misericórdia de Jesus é a força que vai além da polícia, mas sobretudo, que ajuda a combater o extremismo e impulsionar a construção de instrumentos que impeça nossos irmãos de viver a fome que os ataca todos os dias. De nada vale a pena fazer política se o fim não for o bem comum, a justiça social e o fim das desigualdades.

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Edson Gomes: Historiador e Especialista em História da Paraíba

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