O presidente Lula tem dado grande ênfase a um tema para o qual o
imperialismo de plantão sempre torceu o nariz. Trata-se da necessidade
premente da retomada da nossa reindustrialização como o caminho mais
curto para o desenvolvimento e para a nossa libertação econômica.
Nenhum país do mundo pode se pretender competitivo num mercado
internacional cada vez mais disputado, sem que disponha da capacidade de
produzir bens duráveis de qualidade. Imbuídos desse libertário pensamento
foi que alguns países quase que exclusivamente agrários, como foi o caso da China, em muito pouco tempo deu um enorme salto à frente, acelerou
o seu ritmo de aprendizado para construir um fantástico e surpreendente nível de desenvolvimento técnico e cientifico. Em apenas 75 anos de adesão ao modelo socialista, a China virou uma potência respeitável e segundo o
prognóstico dos especialistas em economia, em 2025 ela será a maior
potência do planeta, inclusive desbancando do podium os Estados
Unidos da América do Norte-USA.
A atual arrancada teve início no ano de 2001, quando cinco países considerados periféricos, decidiram se juntar para formar um robusto bloco econômico, que só foi efetivado com a primeira reunião de cúpula ocorrida em 2009.

Naquela ocasião, Brasil, Rússia, Índia e China e depois África do Sul, criaram
um bloco econômico com as letras iniciais de cada país, denominado
BRICS, que nada mais era do que um audacioso aglomerado de países de
terceiro mundo, que optaram por ousar e caminhar na contramão da lógica
neoliberal e se redimirem do atraso.

A primeira composição dos BRIC

O Brasil que equivocadamente se ausentou do bloco a partir de 2016, foi
acometido de uma infecção política grave e somente agora, após a posse do
presidente Lula retornou apressado e defasado ao lugar de onde nunca
deveria ter saído. Esperamos que desta feita esteja mais resistente à bactéria
ultraneoliberal, contraída da epidemia do bolsonarismo. Uma vez reunificado e com a presença adicional da África do Sul, os BRICS sem perda de tempo reafirmaram os seus propósitos e desde então não pararam de receber adeptos. É tanto que a partir de janeiro de 2024, estarão recebendo
nas suas fileiras: a Argentina, a Arábia Saudita, o Egito, os Emirados Árabes
Unidos, a Etiópia e o Irã.

Além desses, mais 20 países já apresentaram demanda formal de
ingresso no bloco entre os quais: a Argélia, Bangladesh, Cuba e o Vietnã
além de outros países como o Paquistão, a Turquia e o México que
manifestaram interesse, mas ainda não formalizaram os respectivos ingressos.
Na reunião de reencontro surgiram como principais propostas politicas a
modernização do Conselho de Segurança da ONU exigindo espaço
para os BRICS e a criação de uma nova moeda para facilitar as transações
Inter países sem a necessidade de conversão em dólar. Essa atitude independente dos BRICS não colocou apenas uma pulga atrás da
orelha dos USA, instalou isso sim um ninho delas, principalmente com a manifesta pretensão do México em ingressar no bloco, o que seria no dizer
de Marx referindo-se à |Comuna de Paris, “um assalto ao céu.

O histórico acordo de Bretton Woods

A decisão sobre o uso da moeda dos Estados Unidos como referência nas
transações comerciais internacionais aconteceu em julho de 1944 por
ocasião do acordo de Bretton Woods, em que foram também criados o Fundo
Monetário Internacional-FMI e o Banco Mundial. À época foi adotado o padrão
ouro como lastro da moeda estadunidense haja vista as grandes
reservas em ouro dos USA. Vejamos um breve histórico de como se
processam hoje em dia as transações comerciais entre países de moedas
frágeis:
“Quando a Segunda Guerra Mundial chegava ao fim, as economias dos países europeus estavam quebradas. Em 1944, europeus e americanos se reuniram na cidade de Bretton Woods, nos Estados Unidos, para discutir como seria o novo sistema monetário internacional – para trazer estabilidade econômica e equilibrar as transações internacionais. Como os americanos tinham dois terços das reservas de ouro do planeta e o metal foi usado como padrão durante décadas, o dólar se impôs como moeda para as transações
entre Estados Unidos e Europa” (1) Por ocasião da crise do petróleo em
1973/1974, os USA e a Arábia Saudita, a mesma que agora será admitida nos
BRICS em 2024, acordaram:

“Em 1974, Estados Unidos e Arábia Saudita
concordaram em cotar o petróleo em dólares. É o
início da ideia do petrodólar, que levou à
dominância da moeda americana que vemos
hoje”, explica Zoe Liu.” (1)

Entre os integrantes do grupo dos Brics está a China que experimenta um
avanço galopante do seu parque industrial e já é uma potência econômica. A Índia que também vem tendo destaque na produção de bens duráveis, a Rússia ainda uma potência, mesmo depois da debacle da União Soviética-URSS, o Brasil que já foi pole position e agora procura se reindustrializar e a África do Sul com pretensões de entrar na competição.

O retorno do Brasil aos BRICS

Os demais países dos BRICS que já estão lá na frente não estão dispostos a
paralisar o seu crescimento para esperar pelo Brasil, este sim é que tem de correr para alcançá-los. Por isso já estão cuidando simultaneamente de se
apartar do dólar como moeda de referência, e criar uma moeda própria para ancorar a cesta de moedas dos participantes do grupo.

A importância da industrialização na economia nacional.

O Brasil não pode nem deve pautar a sua carteira de exportações baseado
apenas em commodities, fortalecendo assim uma dependência cada vez maior do chamado agronegócio, notadamente da agropecuária de exportação. O agronegócio além de gerar poucos empregos tem uma
geração de superávit fiscal insignificante.

Se alguém duvida basta embarcar num veículo automotor e percorrer toda
fronteira agrícola do chamado MATOPIBA- (Maranhão, Tocantins, Piauí
e Bahia). Viajarão horas e horas seguidas sem ver um único trabalhador
rural sequer, pois a atividade do agro que é pop, que é tec, não é tudo como
apregoam.
Quanto ao saldo da balança comercial esse esbarra na Lei Kandir que beneficia sobremaneira os mega empresários rurais com isenção de impostos.

Portanto, a atividade agrícola de exportação que funciona ao sabor do
mercado e obedece exclusivamente aos ditames do lucro, é praticada de forma predatória para benefício exclusivo dos mega produtores, através da chamada anarquia da produção tão bem definida e combatida por Karl Marx.

8,9 milhões de hectares: um mundo de soja e um deserto de mão de obra.

As escaramuças dos BRICS em busca de autonomia têm provocado o berreiro
dos economistas ortodoxos que são reverberados pela mídia oficial e muitas
vezes venal, como sempre falseando a verdade e escamoteando a prática
leonina dos grupos econômicos e financeiros. Consideraram um verdadeiro sacrilégio o fato de o Brasil participar de um bloco que vai criar uma nova moeda renunciando o real. Ora, se para exportar usando o dólar não nos obrigamos a renunciar o real, como iriamos renunciar o real devido a
nova moeda? Se nenhum país da Europa renunciou às suas moedas com
o surgimento do euro, porque iriamos nós fazermos agora com a nova moeda
dos BRICS? Balela, bazófia, “conversa flácida para bovino dormitar.” (2)

A presença do presidente Lula nas reuniões dos BRICS que representou a
volta do Brasil ao lugar de onde nunca deveria ter se ausentado foi recebida
festivamente e foi suficiente para animar os membros do grupo para acelerar a démarches de consolidação do bloco com ideias novas:
“A ideia de você fazer um intercâmbio comercial em moedas próprias, sem recorrer a uma moeda de um terceiro, é uma coisa que está há muito
tempo na mesa de negociação entre os Brics, no âmbito do Mercosul. Isso já foi tentado, prosperou com alguma celeridade no Mercosul. No período
recente, isso retraiu barbaramente. Mas essa ideia volta à mesa para que possamos aprofundar esse tema e promover o intercâmbio comercial com
base nessa filosofia,”, explicou Haddad. (1)

Alguém pode até se indagar onde o Brasil vai buscar musculatura para
acompanhar esse ritmo, ao que respondemos que é só perguntar aos
seus pares como agiram para chegar no estágio atual, se livrar dos maus
presságios dos interessados na nossa subordinação aos USA.

Se alguém ainda não sabe é bom pesquisar que encontrará na década de
1980 um país considerado periférico, que tinha um Produto Interno Bruto –
PIB industrial maior do que a China e todos os tigres asiáticos juntos. Sabem
que país era esse? não? o Brasil! Então a nossa reindustrialização não
tem nada de inédito. É só vencer os inimigos internos que agem sempre de
má fé!

Referencias:
(1) Entenda por que o dólar é a moeda usada no comércio internacional | Jornal
Nacional | G1 (globo.com);

(2) Saudoso radialista Humberto de Campos de Campina Grande;

Fotografias:
a fundação dos brics – Pesquisar (bing.com);
75 anos depois de Bretton Woods, o pacto que desenhou a ordem econômica global que está
desmoronando hoje – Infobae;
Brics dá em 2023 seu terceiro grande passo: ‘o resto do | Opinião (brasildefato.com.br);
Importância da indústria – Portal da Indústria – CNI (portaldaindustria.com.br);
Área plantada do Matopiba alcançará 8,9 milhões de hectares até 2030 (pinegocios.com.br);

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