Neste 8 de março de 2024, saúdo a todas as mulheres do planeta terra. Sem
qualquer forma de discriminação, enaltecemos o gênero. Independente da
raça, cor, profissão, credo ou religião. Sem útero não existe vida. Mas que tipo de vida estamos falando? A mulher por si só já larga em desvantagem. Tem dupla jornada de trabalho, ganha menos, é discriminada pelas religiões como sendo um ser inferior e submisso e tem que lidar cotidianamente com a violência doméstica de pais, maridos, irmãos e patrões. Esta é a realidade de todas as mulheres medianas do planeta, independente da classe social que pertença e do hemisfério, país e cultura onde nasceu e vive. Já a mulher bem sucedida, esta é combatida com violência psicológica, física e moral. Hoje pela manhã fiz um atendimento jurídico enquanto tomava café em um restaurante da Capital, João Pessoa – PB, já que os artigos são universais, daí a referência. Me deparei com o relato de minha cliente, dona do restaurante, uma mulher de seus 40 anos, mãe de dois filhos, uma de 17 e outro de 20 anos. Empreendedora e trabalhadora desde os 9 anos de idade, formada em
matemática, onde entram 30 e saem 2 ou três. Na infância levava surras de dorso da foice de seu pai, que corriqueiramente batia na mãe e irmãos, foi estuprada dos 9 aos 11 anos pelo tio, sem ter o socorro de seus pais.
Depois de mais de 23 anos de relação, já não suporta mais o casamento, tendo que sair de casa e morar nos fundos de seu empreendimento.
O marido egocêntrico, ciumento e opressor, não suporta o seu sucesso com
clientes e na sua igreja, onde se destaca. Se recusa a lhe “dá” o divórcio, que
fatalmente será litigioso. Situação esta que só piora com o “movimento neopentecostal” que se alastra no Brasil, pregando a submissão da mulher ao homem e aos seus ditames. Ainda no final do Século 19, as mulheres socialistas se organizavam em grandes protestos contra as condições de trabalho, pela redução da jornada de 15 horas diárias e pelo fim do trabalho infantil. Em 1908, mil e quinhentas mulheres marcharam em Nova York exigindo menos horas de trabalho, melhores salários e direito ao voto.
Em 1909 uma jornada de protestos de mulheres trabalhadoras culminou com a paralisação de 500 fábricas nos Estados Unidos da América, mostrando a força do movimento. Em 25 de março de 1911, uma das fábricas têxtil de Nova York, devido as péssimas condições de trabalho e segurança incendiou e 130 mulheres morreram carbonizadas. Ainda sob forte impacto do episódio, o partido socialista dos EUA, decretou pela primeira vez o “Dia Nacional da Mulher.” Em 2010, por ocasião da realização da “Conferência Internacional de Mulheres Trabalhadoras”, em Copenhague, a ativista marxista, mulher comunista, jornalista e professora, Clara Josephune Zetkin, defensora dos direitos das mulheres, apresentou a moção de criação do Dia Internacional de Mulheres, sendo aprovada por 100 mulheres de 17 países. O Dia Internacional da Mulher foi comemorado pela primeira vez, em 1911, na Áustria, Alemanha, Dinamarca e Suíça. Em 1913 a Rússia Czarista adotou o feriado do Dia Internacional da Mulher, sendo que, estas viviam em péssimas condições de trabalho e com a ausência dos maridos em função das guerras. Entretanto, foi a Rússia que estabeleceu a data precisa da comemoração internacional. Em 8 de março de 1917, 90 mil mulheres operárias marcham, em Moscou, exigindo o voto das mulheres e o fim da guerra, num movimento conhecido como “Paz e Pão”, contra o Czar Nicolau II e terminaram por impulsionar a Revolução Bolchevique. Só em 1975 a Organização das Nações Unidas – ONU, reconheceu o evento e em 1977 tornou a data oficial em “8 de março”.
Em 2011 se comemorou o seu centenário, sendo que este ano, se comemora o
113º aniversário e em 25 de março o PCdoB comemora o seu 102º aniversário
de fundação. Ainda temos muito que lutar contra a violência e opressão do machismo e do sistema capitalista que se manifesta numa violenta discriminação moral, física e sexual. Na luta de Classes derrotamos o fascismo, em 2022, na pessoa de Bolsonaro, mas o extremismo do Sistema Capitalista permanece vivo e com força no seio da sociedade, constatação pela manifestação de 25 de fevereiro na Av. Paulista em São Paulo e pelas pesquisas recentes sobre o Governo Lula. O Governo é bem sucedido, porém mal avaliado, principalmente pelos “neopentecostais” que defendem o Estado Sionista de Israel, no massacre do Povo Palestino, desde o 7 de outubro de 2023. É preciso ter consciência de classe e lutar para mudar o sistema opressor e trabalhar pelo sucesso do Governo Lula, como fazemos no Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação – MCTI, com a Camarada Luciana Santos e tantos outros. Não podemos nos iludir com o “Identitarismo” forma de dividir e enfraquecer o movimento, cujo engodo assola partidos e movimentos. A luta de classes, tão arraigada neste momento da vida do país, segue sendo o farol dos progressistas e consequentes que combatem o Sistema Capitalista. Por mais direitos e o fim da opressão das mulheres, saudamos o 113º Dia Internacional da Mulher, Neste 8 de março de 2024.
Viva as mulheres! Viva as mulheres comunistas!

João Pessoa, 8 de março de 2024.

Watteau Ferreira Rodrigues.
Advogado e militante do PCdoB.

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