Campina Grande, segunda maior cidade da Paraíba foi conhecida em tempos áureos pela sua vocação interreligiosa pela realização do Encontro da Nova Consciência e pela realização do sucateado Festival de inverno, sendo um dos eventos do tipo mais antigos do Brasil. Não podemos deixar de falar aqui do Maior São João do Mundo, que hoje agoniza num mar de sertanejo, mas boia ainda no salva vidas chamado forró.

De um tempo para cá esse declínio cultural a cidade foi aumentada graças a um evento extremamente conservador que dominou as camadas mais pobres da cidade e financia a maioria das candidaturas políticas que afundam ainda mais a cidade nas péssimas administrações coronelistas e na decadente cultura neopentecostal que assola os tempos atuais.

No período do carnaval é que a magia acontece! A cidade é tomada por fundamentalistas religiosos do Brasil e do mundo, com suas vestes de gostos duvidosos, com sua moral deturpada e com sua condenação das “coisas do mundo”. O leviatã salomônico do velho testamento do velho testamento se levanta e ataca tudo que não passe pela sua regra amoral e ideal de cultura.

A cidade se torna hostil para quem for pobre, candomblecista, juremeiro, judeu, islâmico, negro ou apenas queira aproveitar o débil carnaval de rua da cidade. esses agentes da discórdia saem em bando com suas vestes sacrificiais, sempre em bandos entregando os seus panfletos apócrifos pela cidade que prometem salvar a sua alma, claro que por um preço justo!

Após a sala aristocrática e as falácias vomitadas nas tendas do parque do povo, acontece o after da elite moralmente decadente da cidade e os decanos organizadores e palestrantes do evento, no qual tudo é permitido, desde que seja econdido. As damas castas da sociedade participam das festas privadas com direito a muito pó, álcool e sexo nos moldes do lema “DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA” tão bem retratado por Pasolini no seu filme Salò. Sade ficaria extasiado de ver o que rola nas alcovas das elites campinenses e o escárnio aos ensinamentos do Deus cristão!

Após o apocalipse fariseu que se abate, a cidade junta os cacos e tenta se organizar para resistir da melhor forma ao próximo encontro do ano vindouro. A trombeta ressoa marcando o tempo em que os portais da dimensão neopentecostal reabrirá e os zumbis sairão de seus templos ávidos por se alimentar da vitalidade acumulada na sua ausência. E aí retornam ao seu status quo onde o que não existe é o amor do Deus cristão. A gora deixo a pergunta no ar: Que tipo de divindade permite tal absurdo? Cuidado com as pedras lançadas nas cabeças das mentes pensantes e das bocas sem medo de expor aquilo que o coração está cheio e o cérebro do questionador mastiga, tal qual a vaca ruminante Nietchiana.

TIAGO RODRIGUES ARAUJO

Professor na ECI Professor Itan Pereira/ Campina Grande- PB

Poeta, escritor, mídia ativista

Lattes:http://lattes.cnpq.br/2407977639673215

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