
O mundo vai ficar sem goiabeiras
Sem as inteiras laranjas
E seu sumo adocicado.
Vai ficar sem o recado das mulheres
As que já não colhem do pomar os pomos
Os pomos da discórdia
Para jogá-los fora.
Serão tantos podres e pestilentos
Que se metem mansos entre as ramagens mortas
Que a secura dos ventos
E a insensatez dos surdos
Tornaram-nos sandeus e sórdidos palhaços .
Já não haverá peixes
Só sargaços e cimento em pó
Nem gado gordo para seresteiros ricos:
_ Como fico sem fígado nem figo
Onde quase não respiro ( interr.)
E nesse “mistério” multiplica-se
A liberdade dos cemitérios.
São Paulo, 8 de fevereiro de 2024.




Deixe um comentário