Roselis BATISTAR


Não tenho mais veia poética

Nem métrica  nem melodia

Não vejo alegria nem na zona urbana

Nem na  da serra

Até na Trapobana há guerra

Meu espírito se encerra voluntário

Num calvário desejado

Sem  Jesus sem Marx

Os portais fechados  Só abertos para a morte…

– eufemismo de sangue coagulado-.Com uma  só dor como amor

 O odor de tal horror 

Queima as asas das aves raras

A memória  das flores claras

E das rimas que  me embalavam…

Corta a voz das poetisas

Das candidatas a papisa
Mata os bebês e seus prantos

Esteriliza todos os santos 

Que porventura perdoavam…

Já não há veia poética

Só uma teia de metáforas

Que se tornaram carnívoras

Onde a alma do poeta
Na miséria se calou

Aguardando sua queda

Sob a bomba que o matou!               

São Paulo, 4 de abril de  2024. 

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