Resolvi voltar a MOSCOU depois de uns 7 ou 8 anos , já que com a queda da URSS tudo me parecia insípido,  e  a política  mundial passou a me interessar menos. Em realidade só a França me interessava. , e como podia utilizá-la  para estudar, o  Brasil, por exemplo, o artigo que publiquei  sobre Gregório BEZERRA, o que analisei  de personalidades com claras tendências esquerdistas, de outros mundos, mas que algo diziam ao nosso, como José SARAMAGO,como Luiz CARDOSO do Timor,  etc. Afinal via nas esquerdas francesas – naquela juventude combativa do NPA, alguma luz,algum raciocínio, muita leitura,  e mesmo MELENCHON,  sempre raivoso e de cara feia,- candidato à presidência, dizia lá as suas verdades, e muita gente de todas as idades o seguia. La France Insoumise – seu partido-   ou seja, numa tradução livre, algo assim como  A França que nao se submete” ou, A França  NÃO Submetida”.     A  nuvem negra do recente capitalismo adotado na ex-URSS, como já mencionei, era caótico. Mas quando voltei, a nuvem se havia dissipado.  Hoje,  eu acho que o seu opositor de sempre, os Estados Unidos ,  naquele então , não disse nada além de meter a língua e sublinhar -_”Eu tinha razão. A Rússia vai mal,. Claro, só podia dar nisso, nesse caos!    Estive lá duas vezes , já sob o governo de Putin. Inclusive Medvedev já não era mais o presidente. Fiquei hospedada na mansão de Masha, a filha apolítica de minha amiga LIUDMILA, aquela mesma por quem  Berya,  o georgiano da KGB ” apaixonou-se”. Quando estive lá, na época do regime soviético,  fui convidada a jantar no apartamento de Masha. Parece que além dela, do marido, e dos dois filhos, lá também vivia ou ia passar o dia treinando naquele recinto, o irmão de Masha, brilhante  pianista, e hoje também compositor. Ele tocava num bom piano de cauda,  onde eu também toquei, sem auditório presente  :  o piano não deixava espaço para mais ninguém além do pianista,  e por ser um instrumento visível, já que o piano, ocupava todo aquele cômodo. O ” público” ficava em pé no corredor. O apto era pobremente mobiliado, mas Masha conseguira fazer um jantar delicioso. UNS  12  ou mais anos depois eu a encontro alojada naquela mansão de três andares, subsolo , três ou mais salas, três aquários, servida por uma empregada que mantinha a casa limpíssima, salão de esportes como bilhar e ping-pong e entrada dando para duas ruas, um belíssimo cão samoiedo, dois choferes, salão de esportes, salão de cinema, quatro banheiros, jardim enorme com uma fonte e um lago bem grande perto de um linda varanda…enfim, um palacete. Não me lembro do nome do bairro, mas soube que é famoso como o bairro dos mafiosos. Ah, não havia nenhum piano, nem um modelo de armário!   Masha quis que a acompanhasse à Biblioteca Lenin, enorme, que pega toda uma quadra. Apresentou-me às suas antigas colegas. A recepção foi um pouco fria. Ela era vista como alguém que enriquecera da noite para o dia, e como esposa de um Fulano que fizera fortuna, ela não precisava trabalhar.  O  seu marido estava viajando e em um mês continuou “viajando” . Notei que Masha nao queria falar dele. E  que vivia realmente como uma dondoca infeliz, mas com dinheiro. Levou-me  a   um belíssimo  shopping e em 15 minutos gastou o equivalente a 500 dólares. Mas ficou com raiva da colega que a desprezou por ela  viver sem trabalhar.  Recordo, para quem não sabe, que na URSS  nao se via bem que uma  mulher – além do mais sem filhos  pequenos- não trabalhasse.      Não é por aqui que vou tirar algo de  política, nem do país nem do exterior.  As mulheres dos novos ricos não se preocupam com isso. Este é um assunto para pobres Eu tentei, com Masha, impossível. Consegui encontrar com uma manicure que servia a domicílio, que ousou me dizer que a mulher só tem que ficar bonita, não precisa falar de assuntos que a faz pensar. Respondi-lhe que de onde eu venho a vaidade nao brigou com a reflexão. Lá, 

 nós mulheres, pensamos !

   Conclusão: podem anunciar aos “passados e ainda amassados” americanos, – e simpatizantes-  , 

que o comunismo de que tanto renegam,  já virou “democrãtico”, pois Putin não põe na prisão mafiosos.Tem mais do que se preocupar!

OBS: Masha é o diminutivo de Maria

                             CONTINUARÁ

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