Roteiro: Eudivan Junior 

Foto: Eudivan Junior

Por trás da aparente prosperidade das cidades, uma crise se agrava: o aumento da população em situação de rua. Este roteiro expõe as falhas de um sistema que negligencia os mais vulneráveis, mergulhando-os em uma vida de invisibilidade e dor. É um chamado para repensar prioridades e buscar soluções que garantam dignidade a todos. 

No Brasil, de acordo com dados do Cadastro Único e sistemas do governo federal, entre 2016 e 2023, mais de 138 mil pessoas viviam em situação de rua. Isso representa aproximadamente 1 a cada mil brasileiros sem moradia no país. Uma realidade triste e que lamentavelmente ainda é visível em nosso país.  

Foto: Eudivan Junior

Acordar sob o céu aberto, enfrentar o frio da madrugada e o olhar indiferente de quem passa. Para muitos, a rua é o único lar. A fome é constante, o banho um luxo distante, e a dignidade, uma luta diária. Banalizados, e rejeitados. ‘Tenho uns irmãos l, mas são tudo invocado comigo, invocado que eu falo, não é porque eu faço nada de errado não. Invocado porque é invocado comigo mesmo, por que não ajuda eu.’ ‘tem o meu pai, tem a minha mãe, são vivos ainda, mas não me ajudam não’ é o que relata Cláudio morador do bairro Jaguaribe em João Pessoa. Sua história é a de milhares que sobrevivem á margem da sociedade, esquecidos por um sistema que não os enxerga.  

Vale ressaltar que a ausência de medidas governamentais eficazes é um dos principais fatores que contribuem para o aumento da população em situação de rua no Brasil. A falta de investimento em políticas públicas voltadas para moradia, saúde mental, emprego e assistência social deixa milhares de pessoas à mercê da própria sorte. Programas como o “Minha Casa, Minha Vida” têm alcance limitado e não atendem a todos que necessitam, especialmente aqueles em situação de extrema vulnerabilidade. Além disso, a burocracia e a falta de acesso a documentos básicos, como certidão de nascimento e CPF, dificultam ainda mais a inclusão dessas pessoas em programas sociais. Sem uma ação coordenada e consistente do Estado, o ciclo de pobreza e exclusão se perpetua, deixando milhares sem perspectivas de uma vida digna.  

Foto: Eudivan Junior

O crescimento da população em situação de rua está diretamente ligado ao desmonte de programas sociais e à falta de investimento em políticas públicas essenciais. Nos últimos anos, cortes orçamentários em áreas como saúde, educação e assistência social agravaram a vulnerabilidade de milhares de famílias. A extinção ou enfraquecimento de programas como o “Bolsa Família” e a redução de verbas para serviços de acolhimento e reinserção social deixaram um vácuo que o poder público não conseguiu preencher. Além disso, a falta de planejamento urbano e a especulação imobiliária tornam o acesso à moradia cada vez mais distante para os mais pobres. Enquanto o governo não priorizar políticas de inclusão e proteção social, o problema da população de rua continuará a crescer, refletindo o fracasso do Estado em garantir direitos básicos a todos os cidadãos. 

Diante desse cenário, O aumento da população em situação de rua é um reflexo claro da falta de políticas públicas e sociais que atendam às necessidades básicas da população mais vulnerável. É urgente que o governo priorize a criação e o fortalecimento de políticas públicas e sociais efetivas. Investir em moradia digna, saúde mental, geração de emprego e programas de reinserção social não é apenas uma questão de justiça, mas um dever do Estado para garantir os direitos básicos de todos os cidadãos. É preciso olhar com mais atenção para aqueles que foram marginalizados pelo sistema e oferecer soluções que vão além do assistencialismo, promovendo a inclusão e a dignidade humana. Somente com ações concretas e comprometidas será possível reverter essa triste realidade e construir uma sociedade mais justa e igualitária.   

Foto: Eudivan Junior

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