VLADIMIR DANTAS
26.04.25


Enquanto o capital agoniza em sua fase mais
parasitária, a guerra, a opressão e o avanço da extrema
direita expõem as contradições de um sistema que só
sobrevive destruindo vidas.
Vivemos um tempo de efervescência global. A luta de
classes, muitas vezes invisibilizada pelas grandes
narrativas do poder, se apresenta em cada fato político,
em cada estrutura de dominação, em cada relação
social. Essa luta – real, concreta, brutal – é travada
diariamente por milhões de seres humanos empurrados
à margem pela lógica predatória do capitalismo.
A morte recente do Papa reascende a disputa interna
na Igreja Católica, uma das instituições mais antigas de
controle ideológico. Se o próximo pontífice será
progressista ou conservador ainda é uma incógnita. O
que já é certo, porém, é o avanço das igrejas
evangélicas fundamentalistas, que se multiplicam como
braços da extrema direita. Elas propagam valores
fascistas, racistas, homofóbicos e negacionistas,
consolidando um novo poder religioso voltado não para
libertar, mas para subjugar.
No cenário internacional, a guerra não é mais exceção:
tornou-se parte da engrenagem do sistema. O
genocídio do povo palestino, executado por Israel com
apoio irrestrito dos Estados Unidos, segue impune,
diante de uma comunidade internacional omissa ou
cúmplice. Ao mesmo tempo, novos conflitos se
espalham pelo Oriente Médio e partes da África,
alimentando um clima de tensão permanente.
Essa instabilidade não é acidental: é fruto de um
capitalismo em crise, que, incapaz de gerar lucros
pela produção, torna-se cada vez mais parasitário. Vive
da especulação, da destruição e da guerra. O governo
de Donald Trump – e sua influência sobre governos ao
redor do mundo – acelerou essa lógica, aprofundando o
confronto entre capital e trabalho. Vivemos sob a
sombra de uma Terceira Guerra Mundial que já se
desenrola em capítulos, há décadas, nas periferias do
sistema.
No Brasil, esse processo se manifesta com ainda mais
violência. A luta de classes se intensifica, mas a
resistência popular encontra-se fragmentada e
enfraquecida. A extrema direita ocupa esse vazio com
força, organização e apoio de setores do Estado e do
empresariado. A esquerda, por sua vez, enfrenta
desafios históricos de reorganização e mobilização.
Mesmo assim, a América Latina continua sendo palco
de resistência. Os processos populares na Venezuela e
na Bolívia, mesmo sob pressão internacional, mostram
que ainda há força nos povos. Na Colômbia, onde por
décadas imperou o terrorismo de Estado, surgem novos
sinais de efervescência social.
Ao mesmo tempo, as contradições internas do
capitalismo brasileiro ficam cada vez mais evidentes. A
prisão do ex-presidente Fernando Collor de Mello, após
anos de processos por corrupção, e os inquéritos que
cercam Jair Bolsonaro e generais das Forças Armadas,
mostram rachaduras no bloco de poder. Mas não nos
enganemos: esses homens terão seus direitos
garantidos, suas celas especiais, seus privilégios
mantidos. Enquanto isso, milhares de jovens pobres,
pretos e periféricos apodrecem em prisões
superlotadas, vítimas da tortura, do abandono e da
lógica punitivista que os trata como descartáveis.
Este é o retrato de um sistema em decomposição. O
capitalismo, em sua fase terminal, só sobrevive à base
da guerra, da repressão e da mentira. Mas em meio a
esse cenário sombrio, a resistência continua. Está nos
movimentos populares, nas comunidades que se
organizam, nas vozes que não se calam. Está na
possibilidade de construir algo novo, a partir das ruínas.
O desafio está posto: ou nos conformamos com o
abismo, ou lutamos por um outro horizonte,
radicalmente popular, justo e emancipador.

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