
Mesmo diante da abolição da escravatura em 1888, mais de um milhão e quinhentas mil pessoas negras foram colocadas na sociedade brasileira sem nenhum suporte. E por conta dessa herança histórica vindo de centenas de anos de escravidão, é que nasce o que chamamos de racismo estrutural. Oq representa uma violação do contrato social estabelecido pela Constituição Federal de 1988, especialmente no que se refere ao Artigo 5º, o direito a igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Dada a urgência dessa problemática, é necessária uma avaliação criteriosa das causas que sustentam essa realidade.
Apesar da abolição formal da escravidão em 1888, o Estado brasileiro nunca implementou políticas efetivas de inclusão social para os ex-escravizados e seus descendentes. Como resultado, a marginalização histórica da população negra perpetuou-se por gerações, alimentando ciclos de pobreza, exclusão e violência. A ausência de políticas públicas de integração dos negros libertos no pós-abolição levou milhares de famílias a ocuparem áreas periféricas e sem infraestrutura adequada nas grandes cidades. Segundo o IBGE, mais de 11 milhões de brasileiros vivem em favelas, e a maioria dessas pessoas é negra. A formação dessas comunidades é um reflexo direto da exclusão histórica do acesso à moradia digna.
A exemplo disso, essa exclusão social lamentavelmente ainda é visível em nosso país. A exclusão histórica também impacta o acesso à educação de qualidade e à moradia. Embora o número de estudantes negros no ensino superior tenha crescido nos últimos anos, ainda enfrentam obstáculos maiores para ingresso e permanência. De acordo com o IBGE, apenas 18,3% dos jovens pretos e pardos entre 18 e 24 anos estão na universidade, contra 36,1% dos brancos. Além disso, desde o princípio os autodeclarados pretos ou pardos são maioria nos índices de analfabetismo, de desemprego e tem a menor renda mensal. Enquanto isso, as estáticas de cor e raça produzidas pelo IBGE mostram que em média brancos tem maiores salários, sofrem menos com desemprego e são a maioria entre quem freqüenta o ensino superior.
Ademais, é necessário resolver isso com a adoção de políticas publicas que visam reparar aqueles que foram sistematicamente marginalizados e excluídos da sociedade durante longos tempos. como exemplo das cotas raciais, que abriu espaço para comunidade negra pudesse ingressar nas universidades. É necessário repensar políticas públicas de forma antirracista, promovendo reparações históricas e garantindo equidade real em educação, trabalho, moradia e segurança. Como disse a ilustre Angela Davis: ‘Numa sociedade racista, não basta não ser racista — é necessário ser antirracista. É preciso reconhecer que o racismo existe, e está enraizado nas estruturas de nossa sociedade. É necessário combater, lutar, e entender que essa luta não é apenas dos negros, essa luta é de todos.




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