
Nelson Rosas Ribeiro[1]
As guerras da Ucrânia e de Gaza estão saindo das manchetes. Parece que o mundo já se acostumou com a matança e a destruição. Tudo se reduz a números. São x mortos, n drones e misseis explodidos, m edifícios demolidos. Tudo normal. Não causa nenhum espanto ou revolta. Na falta de melhor assunto, Trump passou a ocupar os espaços na mídia. E não é sem razão. O irresponsável diabo ruivo continua com suas aventuras tresloucadas. Primeiro age e depois verifica quais as consequências. O tarifaço está conseguindo alterar toda a economia mundial. A incerteza instalada é a principal causa da paralização dos negócios. Tornou-se impossível saber como ficará o comércio, a demanda, os custos de produção, os preços, a produção, o que acarreta a suspensão de qualquer investimento. O mundo fica à espera da próxima canetada trumpista. Nada é previsível.
Para a nossa felicidade a onda ainda não chegou à nossa economia, mas já provoca grande nervosismo e serve de pretexto para as aves agourentas iniciarem seu berreiro, e ressuscitarem suas propostas reacionárias de reformas contra os pobres.O FMI, em seu relatório World Economic Outlook (WEO), estima que crescimento do PIB no Brasil vai desacelerarpara 2%, neste ano, a mesma taxa prevista para a América Latina e Caribe.O IGE, no seu Boletim Macro estima um crescimento de 1,9%. A CNI reduziu suas estimativas de 2,4% para 2,3%. Como se não bastassem as dificuldades externas,a Confederação prevê, que o Banco Central (BC) elevará a Selic, atualmente em 14,25%, para 14,75%, até o final do ano.O crescimento real das concessõesde crédito,que no ano passado foi de 10,6%, cairá para 6,5%. O mercado de trabalho terá uma expansão menor e os investimentos, que no ano passado cresceram 7,3%, crescerão apenas 2,8%. O crescimento do PIB, já vinha desacelerando deste o 4º trimestre de 2024,com um crescimento de 0,2%.O menor crescimento da demanda e o aumento das importações,graças ao tarifaço de Tramp, prejudicarão à produção da indústria nacional.
Uma notícia melhorou o humor geral e trouxe algumas esperanças ao mercado. Nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), e em reuniões fechadas em Washington, os discursos de diretores do BC causaram a impressão de que há uma tendência paraencerrar o ciclo de aperto monetário, ou seja, as decisões tenderiam a ser mais “dovish”(suaves), se bem que, diante das incertezas, os movimentos não podem ser bruscos. Apesar destas esperanças, as expectativas gerais não são boas e as consequências do tarifaço são aguardadas.No entanto o ministro Haddad está otimista e afirmou que não há risco de recessão no Brasil. Nos EUA, os custos da guerra comercial do Trump começam a ser sentidos, no aumento das despesas, nas interrupções das cadeias de suprimentos de matérias primas e componentes. Os CEOs de várias empresas já começaram a calcular os prejuízos e pressionar o governo. E são empresas de vários setores. No comércio Walmart e Target tiveram reuniões na Casa Branca. Há protestos da Boeing, que perdeu a venda deaviões para a China, da NextEra Energy, da fabricante de turbinas a gás GE Vernova, das empresas de serviços petrolíferos Halliburton e Baker Hughes, das operadoras de telecomunicações AT&T e Verizon,das farmacêuticas Boston Scientific e Johnson & Johnson, da construtora PulteGroup, da aeroespacial e de defesa RTX e GE Aerospace, para citar algumas.
Voltando ao Brasil e ao ambiente político, as tenções têm aumentado, em torno do projeto da anistia aos golpistas. O PL, partido do Bolsonaro, faz todo tipo de chantagem para que o projeto seja posto em votação no plenário da Câmara, ameaçando iniciar um processo de obstrução nas reuniões do parlamento e impedir a aprovação de qualquer projeto.Um deputado do PL chegou mesmo a afirmar em discurso que,usaria a liberação das emendas de bancada,apenas para os parlamentares que votassem favoravelmente à anistia, ou seja, montou um balcão público de compra descarada de votos. O desespero aumenta na tentativa de salvar o Bolsonaro das condenações, e anular as decisões judiciais que o impedem de participar nas próximas eleições.
[1]Economista, Professor Emérito da UFPB e Vice Coordenador do Progeb – Projeto Globalização e Crise na Economia Brasileira; nelsonrr39@hotmail.com; (www.progeb.blogspot.com). Colaboraram os pesquisadores: Paola Arruda, Brenda Tiburtino, Lara Souza, Guilherme




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