Vivemos um momento de inflexão histórica. O mundo assiste, atônito, à falência progressiva do modelo neoliberal, enquanto a extrema-direita global se reorganiza sob a liderança cada vez mais agressiva de Donald Trump. A crise estrutural do capitalismo, marcada por desigualdades crescentes, colapsos ambientais e um sistema financeiro que se sustenta por especulações e bolhas, tornou-se insustentável até mesmo para seus beneficiários históricos.
Trump, que ressurge como figura central do ultranacionalismo norte-americano, não é apenas um sintoma — é um projeto. Seu retorno ao centro do tabuleiro geopolítico marca a tentativa desesperada do imperialismo de reconfigurar seu domínio por meio do autoritarismo, do negacionismo e da guerra híbrida. A extrema-direita global se fortalece à medida que o sistema que a gerou entra em colapso, oferecendo como “solução” o endurecimento das fronteiras, o desmonte dos direitos sociais e o ataque às instituições democráticas.
Enquanto isso, no Sul Global, o Brasil, sob o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, tenta reocupar seu espaço geopolítico. Mesmo encabrestado pelas pressões do mercado financeiro e por um Congresso hegemonicamente conservador, o governo Lula tem buscado, com contradições e limites, uma política externa soberana. A reaproximação com a China e a Rússia no fortalecimento do BRICS é parte fundamental dessa estratégia.
O BRICS, em meio ao desgaste das instituições multilaterais dominadas pelo Ocidente, surge como um polo alternativo de poder. Ao defender a desdolarização do comércio internacional, investir em infraestrutura e propor uma nova governança global, o bloco se torna não apenas um contraponto econômico, mas um símbolo político de resistência à hegemonia unipolar norte-americana.
O Brasil, ainda que pressionado internamente por uma elite rentista e um sistema de mídia alinhado aos interesses do capital especulativo, sinaliza que não aceitará passivamente o retorno da lógica colonial. A escolha por um multilateralismo ativo, por mais tímida que pareça, representa um passo importante na reconstrução de uma ordem internacional mais justa.
Em tempos de retrocessos e ameaças autoritárias, é preciso olhar para onde ainda há fôlego para resistência. O futuro do planeta depende de quem tiver coragem de enfrentar não apenas a extrema-direita, mas o próprio coração do sistema que a alimenta: o capitalismo em crise.
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