
Designer: Eudivan Junior
O capitalismo no Nordeste brasileiro se desenvolveu de forma desigual e combinada, e na Paraíba, essa realidade assume contornos próprios. Marcada por um histórico de concentração fundiária, dependência de transferências federais e uma elite política tradicional resiliente, a economia paraibana avança sob a lógica de um capitalismo periférico, comandado por poucas mãos e sustentado pela precarização do trabalho e por uma elite empresarial adaptada aos humores do poder central.
Nos últimos vinte anos, o estado passou por processos importantes de modernização parcial — expansão de polos turísticos no Litoral Sul, fortalecimento do setor de serviços em João Pessoa, crescimento do comércio e da construção civil, além de algum dinamismo impulsionado por programas sociais e obras federais. No entanto, o modelo permanece dependente: as grandes cadeias produtivas não estão na Paraíba, o setor industrial é frágil e altamente concentrado, e a renda local depende em grande medida de aposentadorias, funcionalismo público e repasses federais.
Nesse cenário, a força econômica mais significativa está nas mãos de um empresariado rentista-comercial que transita com fluidez entre o agronegócio de médio porte, o setor imobiliário, os grupos de comunicação e o varejo regional. Estas elites regionais — associadas frequentemente a políticos tradicionais — comandam o jogo com naturalidade. Controlam prefeituras, parte das universidades privadas, rádios e televisões locais, além de manter laços com igrejas e segmentos militares.
No campo político, a Paraíba revela um conservadorismo estrutural disfarçado por alianças pragmáticas. A chamada “Nova Paraíba”, comandada por João Azevêdo (ex-PSB, agora no PSB mais moderado), representa uma gestão tecnocrática e pactuada com setores empresariais, especialmente da construção e da saúde privada. Já a oposição bolsonarista, ainda que minoritária institucionalmente, mantém influência crescente nas redes sociais e entre setores das polícias, igrejas e pequeno empresariado.
As esquerdas paraibanas, por sua vez, vivem um momento de estagnação estratégica. Apesar de avanços importantes em centros urbanos como João Pessoa e Campina Grande — com presença militante universitária e cultural —, carecem de articulação popular sólida, enraizamento nas periferias e diálogo real com os trabalhadores informais e rurais. Partidos como o PT, PSOL e PCDOB têm quadros qualificados, COM ALGUMA PRESENÇA NO CESARIO DA LUTA DE CLASSES, O CAÇULA, O PARTIDO DA UNIDADE POPULAR, EMBORA AINDA É INEXPRESSIVO COMEÇA A MARCAR PRESENÇA, E O QUE É PIOR TODOS operam isolados, muitas vezes presos a disputas internas ou agendas identitárias descoladas da realidade concreta do povo paraibano.
Nos próximos 10 anos, o estado terá pela frente desafios estruturais: a transição energética e ambiental (com destaque para a desertificação no semiárido), a pressão do capital imobiliário sobre áreas urbanas e costeiras, e a disputa por recursos hídricos com a conclusão de obras da Transposição do São Francisco. Além disso, haverá um crescimento da disputa ideológica em torno da educação, segurança e costumes, com maior influência das direitas religiosas e militarizadas.
Se nada mudar, a tendência é a consolidação de um modelo neoliberal periférico: terceirizações, turismo predatório, urbanização caótica e crescente desigualdade. O capital financeiro, disfarçado de “empreendedorismo local”, continuará a mandar no estado com o apoio de políticos adaptados ao jogo federal.
Mas há outra possibilidade. Se as esquerdas conseguirem construir um novo projeto popular para a Paraíba — enraizado nos movimentos sociais, vinculado às demandas reais do povo e com capacidade de comunicação — poderá surgir uma alternativa que confronte as estruturas de poder e proponha uma transição justa. Isso exige formação política, disputa territorial, renovação de lideranças e coragem programática.
A história da Paraíba mostra que mudanças profundas não nascem apenas das urnas, mas da organização popular. O desafio está posto. O futuro ainda pode ser outro.




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