Estimado leitor, diante dos últimos dados publicados sobre a conjuntura econômica, não temos outra escolha a não ser continuar denunciando a intensa sabotagem pela qual vem passando o governo brasileiro neste âmbito. Mesmo diante dos excelentes resultados econômicos, a imprensa brasileira, através de suas manchetes, crava o discurso de que o crescimento econômico é ruim para o país. É impressionante como o dogma econômico do combate ao mal inflacionário (a inflação está acima da meta, mas não há descontrole) foi assimilado ao ponto das opiniões teóricas divergentes e dos afetados pelas decisões de política econômica serem totalmente vetados pela imprensa. Quando os juros se alteram, não escutam

Assim como diz a canção de Tom Jobim, a imprensa não quis todas as notas e, para não correr o risco de ficar sem nenhuma, escolheu ficar numa nota só… Mas não estamos
falando de amor, e sim da economia. E ela é complexa. Os recentes resultados econômicos foram bons e aqui os apresento. O IBC-Br, indicador do PIB calculado pelo Banco Central, avançou 1,3% no primeiro trimestre; a produção agroindustrial cresceu 3,6% em março pela terceira vez seguida e fechou o primeiro trimestre com aumento de 1,6%, segundo Índice de Produção Agroindustrial da FGV Agro; o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apurou abertura líquida de 257.528 vagas de trabalho com carteira assinada em abril, resultado bem acima das 170.513 vagas previstas pelo Valor Data; o Índice de Confiança do Comércio (Icom) da FGV está se recuperando e apresentou alta de 1,2 ponto em maio e chegou a 88,7 pontos (numa escala máxima de 200); o Índice de Confiança de Serviços (ICS) também
da FGV, cresceu 1,5 ponto em maio, para 91,9 pontos; e, por fim, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação, subiu 0,36% em maio ante 0,43% em abril, segundo o IBGE, e, de novo, o Valor Data errou, pois estimava crescimento
de 0,44%.
Entretanto, todos estes resultados foram tratados no jornalismo como grandes decepções e/ou surpresas (negativas, é claro!). A realidade se comporta de forma diferente do que prevê o dogma teórico e ao invés de a teoria ser questionada, procura-se um culpado por ela não estar funcionando como deveria. O bode expiatório se reveza entre a resiliência da atividade
econômica e Lula. A resiliência pode ser quebrada a qualquer momento pelos juros, então se
pode conviver com ela, mas Lula precisa ser parado! Chega de inconsequências! Reajuste salarial dos servidores públicos? Política de valorização do salário-mínimo? Liberação do FGTS? Benefícios sociais? Isenção do Imposto de renda para quem ganha menos? Nada disso. Os teóricos dogmáticos e aqueles que são beneficiados por suas soluções econômicas encontraram a desculpa perfeita: a culpa é de Lula, o esbanjador que quer se reeleger.

Por isso, o jornalismo econômico e seus respectivos editoriais vendem a ideia de que uma tragédia está em curso pois “há a possibilidade de o PIB do Brasil crescer 3% em 2025” e,
como “a economia vai continuar super resiliente”, isto “vai pressionar” a inflação. Não, não há
pressão inflacionária. Isto é mentira. O PIB está crescendo e a inflação está caindo. É isto que
as estatísticas mostram. A choradeira é vergonhosa. Contenham-se! Façam-se a seguinte
pergunta: por que a economia cresce, apesar dos juros altos e com inflação sob controle? Não. O Brasil não está à beira do colapso. Quem está colapsando são a teoria econômica
e os rentistas que não suportam ver a inclusão do povo no orçamento da União.

-Rosângela Palhano Ramalho

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