Os Estados Unidos atravessam, hoje, um de seus momentos mais explosivos desde a Guerra Civil. Não se trata apenas de um confronto entre Donald Trump e Elon Musk — dois símbolos da decadência imperial, egos inflados à altura de suas fortunas — mas de uma rachadura estrutural que ameaça implodir o centro do poder global.
As imagens que correm o mundo — barricadas em Los Angeles, confrontos em frente ao Capitólio estadual, repressão policial e revolta nas periferias — não são apenas reação à crise econômica ou à violência política. São o reflexo de um império em crise, onde o povo começa a perceber que o “sonho americano” sempre foi um pesadelo para a maioria.
Trump, ainda agarrado a seu populismo autoritário, acusa seus inimigos internos — agora incluindo o próprio Elon Musk — de traição. Musk, por sua vez, se esforça para ocupar o vácuo da direita ultraliberal, rompendo com o trumpismo clássico e investindo num projeto de tecnocracia corporativa, onde CEOs substituem governos. É um duelo de bilionários, mas o que se joga nas ruas vai muito além disso.
Nas ruas de Los Angeles e outras grandes cidades, o povo começa a se movimentar. Grupos de trabalhadores precarizados, comunidades negras, latinas e juventude urbana se enfrentam com a polícia — não por Elon ou Trump, mas contra o sistema que ambos representam. O conflito está se tornando incontrolável, e as instituições — Congresso, Suprema Corte, mídia — demonstram total incapacidade de estabilizar o país.
Não é exagero falar em clima de guerra civil. Não no molde antigo, mas em forma de guerra social. Uma luta onde o poder político está em crise, os bilionários entram em choque e os explorados começam a levantar a cabeça.
Talvez estejamos vendo não o fim da democracia americana — que nunca passou de uma miragem para a maioria — mas o início do seu desmascaramento. E, com isso, abre-se uma fresta. Porque onde a ordem desmorona, a rebelião vira horizonte.
Se os movimentos populares nos EUA forem capazes de ultrapassar a falsa escolha entre Trump e Musk, entre populismo autoritário e tecnocracia de mercado, podem abrir espaço para um projeto verdadeiramente popular e anticapitalista. É cedo para afirmar, mas o estopim já foi aceso.
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