A ideia de que “a esquerda supera a direita em engajamento nas redes sociais” é uma narrativa tentadora, mas os dados recentes mostram exatamente o oposto. Esta constatação revela uma urgência imediata: a necessidade de articular, organizar e mostrar resistência de forma mais eficaz. Um estudo recente da consultoria Bites, cobrindo o período de janeiro a maio de 2025, analisou postagens de 250 autoridades – incluindo deputados, senadores e ministros – em plataformas como Facebook, Instagram, TikTok, YouTube e X. Os resultados são claros e contundentes: políticos de direita somaram 1,48 bilhão de interações, enquanto os da esquerda registraram 417 milhões e os do centro ou centrão atingiram 171 milhões.

Ou seja, ao contrário da manchete desejada, a direita domina o engajamento digital numa proporção avassaladora, cerca de 2,5 vezes maior do que a soma de esquerda e centro. A média de interações por postagem confirma essa disparidade: a direita gera aproximadamente 12.894 interações por publicação, número que cai para 4.699 na esquerda e 3.900 no centro. Estes números vão além de uma simples métrica e revelam dinâmicas profundas. A direita demonstra uma estrutura organizativa superior, mais entrosada digitalmente, utilizando narrativas fortes e emotivas, formatos virais e conseguindo mobilizar uma bolha consistentemente engajada.

Em contrapartida, a esquerda sofre com sua própria fragmentação. Seus discursos múltiplos e, por vezes, contraditórios, reduzem drasticamente a capacidade de criar um eco coletivo. Lideranças com muitos seguidores não conseguem converter esse alcance em engajamento proporcional devido à falta de unidade e a uma mensagem fragmentada. Este cenário evidencia o abismo entre a percepção e a realidade, onde muitos acreditam que a esquerda “já virou o jogo” no digital, enquanto os dados mostram uma disparidade ainda gritante.

Percebida a defasagem, torna-se crucial agir com estratégia. Para mudar este jogo, a esquerda precisa investir na unificação de pautas e narrativas, sem esconder sua pluralidade, mas encontrando urgentemente pontos de convergência que amplifiquem a mensagem coletiva. É fundamental fortalecer lideranças digitais que consigam dialogar tanto com o público militante quanto com audiências mais amplas e menos politizadas. Paralelamente, é imperativo explorar formatos diversos – como vídeos curtos, memes e transmissões ao vivo – com uma linguagem clara, emocional e mobilizadora. A conclusão é inegável: a resistência global ao autoritarismo existe e cresce, mas no Brasil, a direita mantém uma hegemonia clara no ambiente digital. Se quisermos mudar esse cenário, não basta esperar; é necessário unir voz, estratégia e presença. A disputa política decisiva acontece no feed, no comentário e no compartilhamento, e é uma batalha que, pelos dados atuais, não podemos nos dar ao luxo de perder.

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