Sou como o seco temporal que banha as águas do passado, 
No entanto, como é forte o sol que me bate enquanto sigo a qualquer lado. 
Vivendo da alegria momentânea, efêmera, 
Provando o mais profundo êxtase já experementado. 
E sem saber o que exalto, sou o homem lúcido, 
Que se desfaz assim que apaga a luz do palco.

Acostumei-me a este poço que me abriga, 
Caminhando entre ratos, deles fiz meu evangelho, minha liga. 
Ando com os cães de rua, sigo a filosofia de um bêbado velho, 
Aquele mesmo cínico, marginalizado, jogado por um mundo pelas ruas . 
E mesmo com os tropeços, agradeço me acustumei a equilibrar nas alturas.

“Me perco em mundos separados pela astronômica distância de um abraço,” 
Sozinho me afago, e em meio à sociedade líquida, me afogo, 
Com conceitos banais que corroem a alma, 
Se eu morrer, deixo marcas em cada solo que se acalma. 
E se acaso meu coração sucumbir, será sinal de que amei demais,
Nunca pensei que um homem pudesse sentir tantas saudades, reais.

Não uma saudade simples, não um sentimento trivial, 
É como uma noite fria, vazia, perdida num sábado de Carnaval. 
E o mundo é fosco, às vezes acho que nem existe.
E eu sou a prova viva, de que nem todo mundo tem seu dia feliz, e que todo palhaço, também tem seu dia triste.

Eudivan Junior

Deixe um comentário