
No coração do Rio de Janeiro, ecoam tiros que não visam apenas criminosos: miram pobres, ilham vidas periféricas e cristalizam no poder estadual o projeto de tortura legalizada. O governador Cláudio Castro, eleito sob bandeiras populistas de “mais segurança”, transformou a repressão em política de governo — e custa caro, em corpos e em democracia.
A recente megaoperação policial, com dezenas de mortes sob suspeita de violação de direitos humanos, não pode ser tratada como “falha operacional” ou evento isolado. É consequência urgente de uma cultura de morte validada por discursos autoritários, respaldada por um alinhamento ideológico com forças da extrema-direita que enxergam na força bruta seu principal instrumento de poder.
Castro — membro do PL e eleito com apoio de vertentes bolsonaristas no estado — opera num regime simbólico em que a “guerra ao crime” justifica atropelos legais, atropelos constitucionais, e atropelo de famílias que moram onde o Estado deveria garantir vida, não decretar sentença de morte.Wikipédia+2CNN Brasil+2
O PSB, por exemplo, já move denúncia junto ao STF contra indícios de execuções extrajudiciais e de tortura após operação em favelas do Rio.Gazeta do Povo Como é possível aceitar que num estado brasileiro — dentro de nossa república e dentro do nosso pacto constitucional — ocorra violência sem controle, sem responsabilização, sem prisões preventivas e investigações independentes?
Quando o poder político se entrega à lógica da força militarizada, legitima milícias de fato, milícias simbólicas; mesmo que não diretamente filiadas às organizações criminosas, elas respiram no corpo da securitização extrema, no discurso de “inimigo interno”, e agem como aparatos de controle social brutal.
Não é apenas um problema de gestão de segurança: é um problema político. A extrema-direita bolsonarista que hoje ocupa espaços de comando não pode ser vista apenas como corrente ideológica — ela atua como metodologia de governo: delimita quem tem direito de viver, quem pode ser descartado, quem será alvo de bala legalizada.
Portanto, exigimos — e todos os cidadãos conscientes devem exigir — que esse modelo seja rompido:
Que seja instalada investigação independente e federal sobre as operações militares/policiais que resultam em mortes suspeitas no Rio;
Que haja responsabilização criminal e política para aqueles que ordenam ou permitem violações de direitos humanos em nome de “segurança”;
Que se abandone o discurso securitário como panaceia para desigualdades estruturais — pois por trás da bala, há ausência de políticas educacionais, moradia digna, saúde, emprego;
Que se rejeite o pacto silencioso entre poder público estadual e milícias simbólicas da ordem conservadora radical: sem transparência, sem debate, sem justiça.
Se democracia significa algo, ela exige que o poder responda ao cidadão — e não que o cidadão tema o poder.
Hoje, no Rio de Janeiro, o fantasma da autorização para matar ronda as favelas, e não se combate o crime cometendo crimes. O modelo autoritário de Cláudio Castro precisa ser denunciado, contestado e contido — antes que faça do Rio não apenas um reduto da violência policial, mas um laboratório de exceção permanente.




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