BRASIL — Em resposta ao sequestro criminoso do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Gavidia Flores, deputada da Assembleia Nacional da Venezuela, ocorrido na madrugada de 3 de janeiro, partidos de esquerda, organizações populares e movimentos sociais — entre eles a Unidade Popular — levaram às ruas uma ampla jornada de protestos. Os atos denunciaram a agressão imperialista dos Estados Unidos contra o país vizinho e as ameaças diretas de Donald Trump à América Latina.

As mobilizações se espalharam pelas cinco regiões do Brasil e também alcançaram Portugal e Irlanda, reunindo milhares de pessoas em defesa da soberania dos povos latino-americanos. Mesmo diante da declaração de Ravina Shamdasi, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, de que os EUA “violaram um princípio fundamental do direito internacional”, o governo norte-americano mantém sua escalada de intimidação, mirando especialmente países que se recusam a se submeter ao discurso intervencionista de Trump, como Colômbia e México.

Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, o representante dos EUA, Mike Waltz, deixou explícita a doutrina imperial de Washington ao afirmar que “não vamos permitir que o hemisfério ocidental seja utilizado como base de operações para os adversários e competidores dos Estados Unidos da América”. A mensagem é clara: alinhem-se ou enfrentem a coerção. Não por acaso, Trump chegou a ameaçar o presidente colombiano Gustavo Petro, dizendo que ele “não ficaria lá por muito tempo”.

Em 1916, Lênin já alertava que o imperialismo — fase superior do capitalismo — se sustenta na partilha do mundo pelas grandes potências, em busca de mercados e riquezas, abrindo caminho para guerras, intervenções e massacres. Um século depois, o diagnóstico permanece atual: o genocídio na Palestina prossegue apesar do cessar-fogo, milícias seguem massacrando civis no Congo, e a América Latina volta a ser alvo de intervenções e chantagens. São sinais de um novo e brutal momento da luta de classes em escala global.

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