Na segunda-feira, no dia 13 de maio no Brasil, como o marco da falsa
abolição da escravidão, é “celebrado” com a assinatura da Lei Áurea em 1888,
uma maquiagem de vários marcadores sociais da diferença que ainda
apresenta nas relações raciais no nosso Brasil. No entanto, para a população
negra, essa data é vista como uma “falsa abolição”. Pois, podemos perceber
que, após a abolição, os ex-escravizados foram largados sem políticas de
inclusão social básica ou compensação financeira por décadas de trabalho
forçado sem serem tratados como seres humanos. Enfrentaram discriminação
e foram forçados a trabalhar em condições semelhantes à escravidão,
perpetuando assim um ciclo de exploração e marginalização da população
negra em nosso Brasil. Além disso, o racismo institucional continuou a restringir
a população negra à educação, emprego digno e outros direitos básicos como
saúde e moradia. A escravidão ainda é uma amostra de outras facetas nas
disparidades sociais, econômicas e educacionais que afetam as comunidades
afrodescendentes no Brasil até hoje.
Podemos citar como consequências o extermínio e encarceramento da
juventude negra, o qual tem se perpetuado por todos esses séculos, a
reprodução do sistema escravocrata em nosso país permanece. Também não
podemos deixar de citar a saúde mental de nossos jovens e crianças que
enfrentam diariamente o racismo nas escolas, universidades, locais de
trabalho, quase sempre em posição de subalterna. Nos lugares de recreação.
Só uma pessoa negra é capaz de saber o que é ser seguido em lugares
públicos, ser ‘sorteado’ sempre para receber os tratamentos diferenciados, isto
é, violência de todos os tipos, do estado. Ser negro no Brasil é estar sempre
sob a ameaça de ser achado por uma bala pedida.
As mulheres negras são as principais vítimas do feminicídio. Somos nós
que fazemos os trabalhos mais mal remunerados e fisicamente exaustivos,
recebemos cerca de 35% a menos. Somos os principais alvos de assédio
moral e sexual nos locais de trabalho. E quando com maior esforço do que
demais, precisamos o tempo todo provar nossa capacidade. Pois, mesmo em
nossa área de conhecimento, sempre testadas e questionadas se temos
mesmo certeza de nossas afirmações.

NÃO, a princesa Isabel não nos libertou, a resistência do nosso povo é
secular. O que nos faz resistir é a força da ancestralidade, e é essa força que
nos faz resilientes e persistentes em buscar libertação e equidade social, para
que nós e para as futuras gerações tenham acesso ao que estabelece o artigo
5º da nossa constituição: que somos iguais perante a lei.

Rosiane Cruz

União Brasileira de Mulheres – Mestra  em Direitos Humanos, Cidadania e  Políticas Públicas 

Uma resposta para “Falsa abolição a resistência é o que nos matêm vivas”.

  1. Avatar de Silvia Almeida
    Silvia Almeida

    parabéns pela excelente exposição dos fatos camarada Rosiani Cruz, de fato há uma dívida estrutural na sociedade brasileira com todos os aspectos da dignidade humana que foi desconsiderado com a psiseuda abolição, precisamos falar sobre a ancestralidade e de todos os aspectos que precisam ser renomeados no sentido de valorização da vida do povo negro que constitui a natureza deste país.

    Curtir

Deixar mensagem para Silvia Almeida Cancelar resposta