Eu enterrei todos os meus sonhos. 

Me questiono, às vezes, 
se eu enterrei 
ou fui enterrado junto? 

Afinal, o que faz um ser 
vagando nas incertezas do mundo? 
Sem sonhos? Sem desejos? 

De certo, não busca por nada. 
Mas… no final das contas, 
esse nada deve ser a própria solidão. 

Ela o carrega junto, 
como um animal acorrentado, 
esticando as patas, 
em que nenhum momento, 
dessa desgraça, 
se tem a oportunidade 
de fixar as mãos 
e clamar, súplica para os que ouvem. 

Bem, somos, de certo modo, sozinhos. 
No nosso próprio eu, 
nos vícios e medos. 

Mas, como sujeitos sociais, 
por que não encarar 
as faces mentirosas 
desses cubículos 
que por enquanto estamos? 

Digo, que, 
somos mais parecidos 
do que distintos. 
Por que não há compaixão? 
Por que tanto conflito? 

Quem deve sonhar? 
Quem não deve? 

Há várias questões 
que devem ser feitas, 
mas sempre procuramos 
afirmações imundas 
que não contemplam 
a infelicidade dessa desgraça. 

Não ouso querer respostas, 
pelo contrário, 
sendo sincero, 
eu quero morrer de tanto sonhar, 
pois, de certo, 
a felicidade está em algo 
que não podemos conquistar. 

E, somente assim, 
não falecer com o tédio 
de possuir. 

~Daniel Andrade

Uma resposta para “Sonho – Daniel Andrade”.

  1. Grato demais pela publicação, Eudivan sempre ativo no meio cultural…

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